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Qual é a música?

Rendo-me ao recheado: não é ruim... Nada mais adequado: "Gulosos"! As metáforas me assaltam, mas me falta agora o talento para utilizá-las... desisto! O preferido ainda é o melhor, mas o custo-benefício foi bem favorável. Sejamos práticos: essa é a ordem da vez. Oscilo entre o sal e o doce, esse último sempre vence, especialmente em momentos assim... Tudo parece reduzido à mesmice, as novidades já estão todas obsoletas e ultrapassadas. Inferno astral, tpm, estresse ou nada, na verdade. Vou me livrar dos rastros, dos resquícios e destes sentimentos rotos. Não estou a fim: Os Anjos - Legião Urbana "Hoje não dá Hoje não dá Não sei mais o que dizer E nem o que pensar Hoje não dá Hoje não dá A maldade humana agora não tem nome Hoje não dá Pegue duas medidas de estupidez Junte trinta e quatro partes de mentira Coloque tudo numa forma Untada previamente Com promessas não cumpridas Adicione a seguir o ódio e a inveja Dez colheres cheias de burrice Mexa tudo e ...

Quem dá tchau ao maquinista?

As paisagens passam rapidamente. Mas não tão rápido a ponto de perder os operários ao longo da linha de trem. Sinto-me novamente criança e não resisto: aceno. Eles respondem  e acenam de volta. Sorrio satisfeita e prossigo a viagem.  E a pergunta me vem: alguém acena ao maquinista?

Noturno II

A catarse de novo. As ideias pululando, atropelando-se. Mal consigo organizá-las! Perturbação. O livro. A pessoa. A luz debaixo da porta. Sono reprimido e acumulado e insônia. Agitação e ansiedade: o futuro aproxima-se - insisto e abuso da ênclise. A literatura insuflando-se mais uma vez. Eu fujo, ainda que a resistência não dure por muito tempo. Ou que a persistência vença. Deixo-me arrastar pelas letras, palavras, frases. Apenas transpiro. Não mais, na verdade. Fria. E passional. E obsessiva, obcecada. Arrepio na nudez: seria o pé na lajota encardida do quarto barato de hotel? As formigas estão por toda parte, farejando rastros e resquícios de comida. O quarto é sala, cozinha, banheiro, casa. E nada: impessoal, apenas uma vaga ocupada. Momentaneamente. Almejo pelo que não alcanço: o tempo. De onde vêm os cheiros? Para lá voltarão. O seu, onde está? Tanto mais o afasto, tanto mais ele me persegue. O agora grita em mim. E a sede é infinita. Boa noite/bom dia.

Transpiração de todos os santos

Então eu tenho tempo e dinheiro (?) pra fazer um monte de coisas que simplesmente não faço. Leio todas essas coisas extremamente estimulantes e não me estimulo. (esse gosto de soja com morango não combinou, vou comer um biscoito de sal: comi, não adiantou... seria bom um chá mate pra acompanhá-lo, mas sem possibilidades no momento!) Ando por ruas que agora me são familiares. Não enxergo ninguém, apenas vejo placas e possibilidades. Procuro por um entusiamo há muito perdido... (o bebê vizinho parece querer dar o ar da sua graça, soltando guinchos já um tanto altos; não resisto: acabo apelando pro bom e velho Danix - ah, meu Deus, onde isso vai parar?!) Nenhum santo me socorre.

Oi?

Falta de assunto não é - mais certo que seja falta de vontade, nem sei mais! E que importa, afinal? Lendo Anne Frank e pensando em como tudo pode ser extremamente irrevelante - inclusive eu mesma... Oi? Refiro-me às lamentações e mazelas cotidianas, à falta de criatividade e iniciativa! Por isso a ausência, somada  à mudança de rotina, cenário, endereço, condição... Mas isso é um outro post, ok? Volto depois...

Partida

Fique mais um pouco, não vá agora! Ainda não te contei tudo. Aquelas verdades absolutas, irrefutáveis. Não te contei mesmo, nada. Além de tudo que você já sabe... Daquilo que você nega. Feche os olhos, tape os ouvidos. Não adiantará. Está bem aqui - dentro. E sempre estará. Cá estava, antes ainda de sua chegada. E quando você se for, permanecerá. Boa viagem.

?

Então tudo se resumiu a uma eterna e morna interrogação.