Noturno II

A catarse de novo. As ideias pululando, atropelando-se. Mal consigo organizá-las! Perturbação. O livro. A pessoa. A luz debaixo da porta. Sono reprimido e acumulado e insônia. Agitação e ansiedade: o futuro aproxima-se - insisto e abuso da ênclise. A literatura insuflando-se mais uma vez. Eu fujo, ainda que a resistência não dure por muito tempo. Ou que a persistência vença. Deixo-me arrastar pelas letras, palavras, frases. Apenas transpiro. Não mais, na verdade. Fria. E passional. E obsessiva, obcecada. Arrepio na nudez: seria o pé na lajota encardida do quarto barato de hotel? As formigas estão por toda parte, farejando rastros e resquícios de comida. O quarto é sala, cozinha, banheiro, casa. E nada: impessoal, apenas uma vaga ocupada. Momentaneamente. Almejo pelo que não alcanço: o tempo. De onde vêm os cheiros? Para lá voltarão. O seu, onde está? Tanto mais o afasto, tanto mais ele me persegue. O agora grita em mim. E a sede é infinita. Boa noite/bom dia.

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