Dia 02
Este diário começa no segundo dia. É. Porque no primeiro eu simplesmente não tive esta ideia. E porque, mesmo tentando evitar qualquer movimento que chamasse atenção sobre mim, eu escrevi. Tenho certeza que leu. Mas não se manifestou. E eu, que propus o "desafio", percebi-me esperando um sinal. Confesso: fantasiei que lá pelo quarto, quinto dia, você não iria aguentar e faria contato, querendo acabar com este silêncio! Tentei, eu também, não me manifestar - e escrevi um ensaio (!). Pois pensei que eu não podia nem devia tentar um comportamento modificado. Tudo que desejo é que eu possa ser eu mesma! Ao mesmo tempo, repensei minhas palavras... não queria agir pra chamar atenção. E nem não agir, chamando talvez mais atenção pra ausência. Optei por ser eu: eu, eu mesma e... Preciso falar que tudo me lembrava/remetia a você? "ói procê vê!" - claro que quis te enviar este vídeo!
Inexplicavelmente, dormi cedíssimo: 21h40 já estava deitada e só acordei hoje, no dia 02. Tentei controlar os pensamentos, a ansiedade e canalizá-los pra algo mais produtivo e/ou positivo. Mas naquela hora só o que fiz foi pegar o telefone pra ligar pra uma amiga: eu estava abafada, admito! Falar e ouvir a mim mesma não estava funcionando muito nesse segundo dia... E aí a tela do aparelho me revelou o que "as cartas não mentem jamais": a tentação se figurava, nas ligações automaticamente recusadas da noite anterior! Um impulso quase me fez ceder, mas refreei as emoções. Racionalizei. Não era aquele contato que eu queria, pra que tapar buraco? Era exatamente o que eu evitava, de parte a parte: muletas emocionais. Conversei bastante, com algumas pessoas, ao longo do dia. Fiz contatos importantes, gratificantes e edificantes. Escrevi de novo, acerca de uma foto que tirei e me sugeriu ideias... E a sessão de sugestões foi interminável: tudo que eu lia parecia pra mim, tinha um nome, enxergava sinais em tudo... teve até maionese no jantar! Minha mãe praticamente NUNCA faz maionese, só pra esclarecer (batatas???)! Então resolvi que eu precisava contar meu dia. Aqui está. E meu jantar.

PS: depois de encerrar o dia 02, lembro-me que no dia 01 me peguei várias vezes fazendo "aquelas caretas", as suas...!
Dia 03
No meio do dia já sinto necessidade de vir aqui. Ansiedade e pensamentos me perturbam. Dispersa, não consigo me concentrar no trabalho, não me satisfaço com as músicas que escuto, nem com mensagens que leio. Hoje é dia de ficar em silêncio. De fato. Parece que a anestesia de ontem está passando: toda aquela positividade e produtividade foram substituídas por um pouco de mágoa e descrença. Tento combater, com meus rituais pessoais. Esforço-me. Ouço um boato de suspeita de bomba num prédio ao lado, a rua foi fechada: queria te contar. As redes sociais são um apelo, que resisto - mas lá está seu rosto, aparecendo onde não deveria! Fujo. Dou um grito, literalmente! Almoço e mergulho na leitura, mas seu teor me deixa ainda mais reflexiva e um tantinho triste. Volto ao trabalho. Ainda preciso vencer este desafio à noite! Quando me dou conta, estou de volta ao meu vício, "tirando casquinhas"! Argh! "PSFN/Pouso Alegre": sem mais (acho que já está de bom tamanho por hoje).
Dia 04
Hoje é dia de #tbtexto. Então só por isso vou publicar. Senão me manteria em silêncio. Porque a falação na minha cabeça já está suficiente. Imagino que provavelmente vá ler e não deixar registro disso - outra vez. OK. É o que temos pra hoje. A cada dia, mais penso que este desafio foi um erro. Um prolongamento desnecessário. Não tenho perspectivas animadoras. Hoje eu que "não sei". Sinto-me covarde, também. Lembro-me da fantasia do quarto, quinto dia. Hoje é o dia 04. Talvez por isso esteja me sendo difícil - eu e meus simbolismos. Ocorre-me a música da Bethânia: "Será que chama como eu? Será que pergunta por mim?"... hoje é dia de lembrar. Mas eu só desejo esquecer. Hoje não tem imagem.
Capitulo. Porque você me aparece inesperadamente noutro lugar (ah, essa tecnologia)! E de novo, gritando na tela: lembranças a galope! Eita, universo: me dá um tempo??? Vou e volto. E como pipoca doce com leite condensado: hoje preciso! E publico... Passeio por aqui e ali, vou passear... #sqn! Fico com as leituras: elas cuidam de me conduzir e levar aonde preciso! 😉
Dia 05
Acordo muito sonolenta e penso: ufa, sexta-feira! Dia de pagar contas, escolher um presente pros aniversariantes do mês - se possível. E tentar não pensar muito. O dia tá ensolarado e olho pela janela do coletivo, a caminho do trabalho: o que a vida me reserva, por aqui? Era pra eu não pensar... mas esta semana o passado resolveu dar o ar da graça, cada hora um querendo "ressuscitar"! Hoje até buzina e grito na rua teve! Aff... quando finalmente me sinto liberta dessas armadilhas, aí mesmo é que os testes vêm... Não me rendo nem me iludo: meu caminho é em frente. Não quero retornos. Quero futuros. Próximos ou distantes. E presentes - não ausentes. Enquanto lacro e identifico uma série de caixas, outra vez travo diálogos mentais... as questões recorrentes me torturando! Em meu fone de ouvido, toca uma música, significativa, que te dediquei no passeio da "escada rolante"! Emocionada que sou, estou, fico. Um sinal, que venho pedindo? Assim como as caixas, fecho-me. Momento de recolhimento. Hoje não volto...

PS: só uma imagem, que fala por si... referências, dialeto particular etc.
Dia 07 - o último dia
Não vim aqui no dia 06. Não deu. Senti-me mais frustrada e fragilizada que nos outros dias. O fechamento da cidade, outra vez, assim como a mudança climática, fizeram-me abortar os planos pro fim de semana. A visita ao salão só serviu pra aumentar meu martírio e impotência, relembrando-me intimidades desnecessárias... Tudo que eu queria era poder dar umas braçadas e pegar um sol, passar o dia sem remoer, pra variar - ainda que provavelmente não fosse conseguir! Na falta de melhor humor, rendi-me a uma série idiota e passei o dia deitada, no quarto. Percebi que precisaria de uma dose extra de abstração pra terminar o desafio...!
Hoje não foi muito melhor. Dei sequência ao meu momento antissocial, mesmo sendo um dia de comemoração! Enquanto pude, permaneci ausente do mundo real, mergulhada em histórias que não fossem minhas. Até que as obrigações sociais me retiraram um pouco da letargia. E a cefaleia que me atacou foi vencida. Sabia bem o motivo daquela dor e mais uma vez me arrependi do prazo definido... Agora eu precisava ser coerente e aguardar. Mas sucumbi quando vi aquele post com a significativa imagem e te enviei, pra não perder o timig! Você reagiu. Cogitei até sugerir anteciparmos o deadline... controlei-me e voltei pro casulo. E agora, quando todos já se foram, venho me despedir aqui. Quisera encerrar este diário com alguma certeza, mas só o que tenho são dúvidas. Foram muitas referências, a todo momento, durante esses dias. Então vou me apegar a que melhor finaliza meu relato e talvez esta história: agradeço pelo meio copo cheio! E que a mensagem a seguir nos norteie...😉

PS: Adeus! Ou será apenas um "tchau, boa noite, beijo"?
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