A sereia da Pampulha - Cap. 6
“Oi, boa tarde, tudo bem? Muitos peixes hoje?” – arrisquei. O grupo era formado por três homens, uma mulher e um menino, esse último o mais animado de todos com a pescaria. A mulher mostrou-se receptiva ao meu contato, seus acompanhantes nem tanto. Leila, com quem consegui começar um papo, estava ali com o companheiro, o irmão e o filho. O outro homem era Wanderley, experiente pescador daquele local e de outros: uma boa fonte de histórias! Foi ele quem realmente se mostrou aberto e disposto a me ajudar – como um bom representante da classe, cheio de “causos” pra contar! Mas tentei saber de Leila e dos demais se vinham sempre pescar ali, se sabiam algo ou tinham algum palpite sobre a sereia. O companheiro e o irmão de Leila seguiram me ignorando, nada satisfeitos com minha presença. Assim, dei por encerrada minha investida com eles e me concentrei em Wanderley. Leila, por sua vez, não se reprimiu com a má vontade dos outros e quis dar sua opinião. Segundo ela, a sereia existia sim: havia sido raptada por um viajante e trazida para cá, onde conseguiu se libertar do seu jugo, refugiando-se na lagoa. Já Wanderley ia mais fundo: acreditava que ela tinha vindo pelo curso do rio São Francisco, fugida da região das Alagoas, chegando pelo rio das Velhas e por fim “desaguando” na lagoa. Em ambos os casos, refleti, nalgum momento a sereia teria que abandonar as águas pra terminar a viagem, já que em alguns pontos da travessia não haveria volume de água suficiente para que ela nadasse submersa... A versão de Wanderley me pareceu mais verossímil, já que vir pelo curso do rio fazia mais sentido que um rapto: como ela sobreviveria fora d’água tanto tempo? Percebi que não sabia muito sobre a vida das sereias, precisava pesquisar mais sobre o assunto. Que espécie de repórter eu era?! – repreendi-me mentalmente. Do tipo que acredita em lendas, aparentemente.. e pior: que já estava se achando personagem da história! Ok, vou me explicar e contar a ideia que estava na minha cabeça. (continua...)
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