A sereia da Pampulha - Cap. 7


Dados os elementos desta história, minha teoria não pode ser considerada assim tão fantasiosa. Pelo menos não pra mim. Se existe uma sereia, que habita as águas da Lagoa da Pampulha e faz eventuais aparições, porque não considerar a sua forma humana, afinal? Porque se ela assim vive, pode muito bem ter se adaptado, para que só em certas ocasiões assuma sua porção sirênica – e esse não é mais um neologismo meu! Faz muito mais sentido e seria mais crível... se é que um “causo” assim pode ser! Por mais que eu goste de relatos fantásticos, super-heróis e afins, um ser que fosse parte mulher/parte sereia poderia estar vivendo entre nós muito mais facilmente. E, junte-se a isso, minhas suposições ainda mais incríveis: por que eu nunca conseguia vê-la, estava sempre desmaiada nas ocasiões em que ela aparecia??? Aquele episódio do clube não me saía da cabeça e estava alimentando uma suspeita que só se reforçava... eu continuava lutando contra o sono, agora mesmo! Logo quando eu encontrara alguns personagens que poderiam me ajudar a descobrir algo, estava-me impossível manter a mente alerta! Além do mais, era uma data emblemática, eu sentia algo no ar. Minha intuição raramente falhava e, naquele momento, pressenti que estava me aproximando da verdade. Depois de ir e vir na orla, sem muito método e planejamento, agora eu me sentia mais segura quanto à possibilidade daquela lenda ser real. Mas precisava testar minha teoria, colocá-la à prova. Imprescindível ficar acordada, desperta! Ou... registrar meu sono: era isso! Mas como? Dispunha apenas do meu simples smartphone, que não era assim tão cheio de recursos... eu precisava de uma solução, logo! 
noite já caía na orla, tornando a paisagem azulada: o cenário ideal par mais uma aparição. Enquanto eu conjecturava tudo isso, Leila e seus acompanhantes se preparavam para encerrar a pescaria daquele dia: era a primeira vez que se aventuravam na orla e eu não queria inibi-los mais. Wanderley, por outro lado, continuava disponível e falante, contando sobre pescarias antigas e famosas, inclusive de uma participação sua em um filme sobre a cidade. Ele gostava daquele universo, parecia uma ótima fonte. Eu, de minha parte, seguia lutando contra o sono, agora mais forte. Tentava manter minha atenção focada na situação, em encontrar uma forma de não apagar. Ou de como registrar mais este apagão: precisava de respostas, de uma pista, um caminho que me levasse à verdade – que me trouxesse à tona! E foi Wanderley que me pareceu a isca ideal... (continua...)  

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