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Instantes Distantes

Eu não deveria. Mas não consigo. Por que você não fecha sua boca?! Pra mastigar, antes de falar sem pensar... Pensei que só eu falava ‘passador’ – de cabelo. Ou ‘fecho éclair’ ou ‘dentifrício’ ou ‘ralo’, nesse caso para ralador e aí sim, estou errada. Recorri então ao novo ‘pai dos burros’, o Google. Sim, porque ‘Aurélio’ agora ninguém mais sabe de que(m) se trata. Obsoleto. Como eu? A internet atualizou-me: com a especificação ‘de cabelo’, tive meu termo antiquado confirmado, ufa! E coloquei novamente o domador de franja no lugar, satisfeita! Barulhinho do motor do ônibus de viagem roncando aqui perto. Saudade de viagem. De ‘por o pé na estrada’, ou pelo menos no ônibus, que fosse. Que seja. Um dia ensolarado, uma praia calma, uma cachoeira bonita, um recanto qualquer de mim e de você. Férias. Trabalho no nada e no tudo. Amor.

Lieber Dumm

Eu avisei. Não quis me ouvir. Então agora leia. E durma com um barulho desses. Desculpa aí... não pude evitar!

Agosto

Eu vim aqui para aqui estar. Era isso. Mas me desviei no caminho e acabei dando atenção ao que não devia. Fiquei pensando e procurando sentidos para o que nem existe – assim espero. Então o telefone tocou e não pude crer. Não estava pensando propriamente nisso, mas o que eu procurava tinha mesmo a ver com tudo, no final das contas. É só mais um dia que o sorriso me é difícil, a vontade me é pouca.

Jogo de palavras

Março, abril e maio. Em branco. Tento pensar por que. Junto ou separado. Com ou sem acento. Porque sim. O porquê some. Abstrai-se, sem no entanto nos trair. A nós mesmos e nós outros. Preenche o vazio. Esvazia os espaços. “Por que é coisa de criança”. Criemo-nos. Porque somos.

Profissão de fé

Coçou os olhos mais uma vez – ultimamente eles andavam assim, cheios de ciscos e cilhos: incomodantes. Pensou outra vez que precisava ir ao oftalmologista tão logo possível, para ver se a dupla Hipermetropia/Astigmatismo estava avançando ou tinha dado uma trégua. Tudo levava a crer que ela caminhava, a dupla, já que os óculos eram cada vez mais indispensáveis. Limpou meticulosamente as lentes, como fazia sempre que tirava a armação da caixinha. Orgulhava-se do cuidado com que vinha trazendo esta última armação: dois anos e nenhum arranhão! Ao colocá-la no rosto percebeu que ‘sobressaía’ em sua visão e novo pensamento ocorreu-lhe: “preciso trocar estes óculos, e logo!” Já vinha percebendo que aquele design estava lhe viciando, pois vez ou outra olhava por baixo ou por cima dos óculos, num cacoete típico. “Mas essas armações maiores estão ‘modinha’ de adolescente... preciso procurar uma que seja atemporal...”, divagava, enquanto digitava o texto. Há quanto tempo não o fazia? Sentiu uma f...

Gritos e sussurros mentais

Eu não devia pensar, ou mesmo sentir. Mas, como ainda não consegui superar, não falo – eu escrevo. Não é, no final, a mesma coisa? Porque a ‘palavra lançada não volta atrás’, segundo o provérbio chinês. Que dizer então da palavra escrita, que fica registrada? Tanto pior, eu diria. Ruim, mesmo, é sentir isso aqui e agora. Aí a mente divaga ao extremo: volto à adolescência e pergunto-me: “Posso dar um grito?”!

Asnos e afins

Preciso escrever. Urgentemente. O que? Ainda não sei. Tive uma ideia que fugiu corrida tão logo quis agarrá-la, sem muita convicção – admito. Mas asneiras vêm rondando este (ou esse, neste momento) ambiente e já tenho o mote para escrever, afinal... O que pretendo com tais observações? Gastar o tempo, pura e simplesmente. Porque me fartam as asneiras alheias e minha própria inutilidade. Então falemos de nada para preencher esse vazio de tudo! Poesia à parte, lembro-me agora das coisas que me são importantes e das quais em afastei. Escrever - ainda que tantas asneiras! Então voltemos a elas: as qualidades do asno... Para os desconhecedores e de acordo com a central de todas as informações do momento (ela, a internet, aqui sob codinome Wikipédia), “O asno ou burro, também chamado jegue, jerico, asno-doméstico é um mamífero perissodáctilo de tamanho médio, focinho e orelhas compridas, utilizado desde tempos pré-históricos como animal de carga”. Pronto, explicado está. Aí se levanta ...