Profissão de fé
Coçou os olhos mais uma vez – ultimamente eles andavam assim, cheios de ciscos e cilhos: incomodantes. Pensou outra vez que precisava ir ao oftalmologista tão logo possível, para ver se a dupla Hipermetropia/Astigmatismo estava avançando ou tinha dado uma trégua. Tudo levava a crer que ela caminhava, a dupla, já que os óculos eram cada vez mais indispensáveis. Limpou meticulosamente as lentes, como fazia sempre que tirava a armação da caixinha. Orgulhava-se do cuidado com que vinha trazendo esta última armação: dois anos e nenhum arranhão! Ao colocá-la no rosto percebeu que ‘sobressaía’ em sua visão e novo pensamento ocorreu-lhe: “preciso trocar estes óculos, e logo!” Já vinha percebendo que aquele design estava lhe viciando, pois vez ou outra olhava por baixo ou por cima dos óculos, num cacoete típico. “Mas essas armações maiores estão ‘modinha’ de adolescente... preciso procurar uma que seja atemporal...”, divagava, enquanto digitava o texto. Há quanto tempo não o fazia? Sentiu uma friagem no corpo e decidiu vestir o casaco. Afinal, estava naquela entressafra da gripe ou coisa que o valha: melhor se resguardar. O colega perguntou se tinha melhorado e de novo o tema veio: “é preciso ter fé”...! Achou graça, para não se deixar impresssionar: a tal fé, de novo. Era a 4ª vez que sua atenção era chamada sobre isso, em menos de 24 horas! Seria possível que havia se tornado essa pessoa cética, a que todos chamavam à razão – ou a fé, melhor dizendo?! Não concordava, mas via ali um sinal de algo não andava como deveria. Por via das dúvidas, emendou logo uma prece àquele pensamento e começou o dia. Já tardiamente. Escrevera.
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