Coisas novas
Olhou para os dois lados antes de atravessar a rua, conforme sua mãe lhe ensinara na tenra infância. Apenas por precaução, já que a rua estava deserta há horas. Não se via veículo algum circulando, naquele feriado chuvoso. As pessoas e coisas pareciam adormecidas. Mas ela não.
Sua cabeça fervia, suas pernas tremiam. Nem mesmo os chinelos calçara: pisava o asfalto molhado com os pés finos e nus, na tentativa de esfriar o sangue. Por que aquilo de novo, em pleno Natal? E que diferença fazia a data? Por acaso se escolhe o dia de sofrer um colapso?
Coincidência ou auto-sugestão, a verdade é que todo final de ano era a mesma coisa: ela tentava se reconciliar com a família distante, mas em vão! Na última hora cancelava a viagem para Marliéria e ficava em seu apartamento, sozinha. Ia se sentindo mais oprimida a cada minuto e então saía. Às vezes pra rua, às vezes de si mesma.
Naquele 25 de dezembro parecia que nada seria diferente. Ledo engano! Ao dobrar a esquina da rua Curvelo, ela não notou que também ele estava na rua. Também inquieto e louco pra viver, pra variar! Ele não sabia, nem ela, mas iam se cruzar dali a dois minutos. Um minuto. Trinta segundos. Quinze. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... Aaaaaiiiiiiiiiiiiiii!
Pronto! Ele pisara seu pé fino e descalço ao entrarem/saírem da rua Itajubá, cada um num sentido. Ele meio que acordou de seu devaneio sonâmbulo, ela irritou-se com outra presença humana. Mas ao cruzarem os olhares, o sangue dela esfriou, o dele esquentou. Um carro derrapou na Contorno e bateu no poste. Eles não viram. Viam apenas a si mesmos, em olhos alheios.
Deram-se as mãos e atravessaram a rua, ela descalça, ele de coturnos. Seguiram debaixo da chuva fina, sem dizer palavra ou soltar as mãos. Não se largaram mais. Andaram assim por horas. Quando se deram conta, estavam felizes, debaixo do edredon novo dele. Há quantos dias? Ou anos?
Que diferença fazia? Acaso se escolhe o dia de encontrar o amor?
Sua cabeça fervia, suas pernas tremiam. Nem mesmo os chinelos calçara: pisava o asfalto molhado com os pés finos e nus, na tentativa de esfriar o sangue. Por que aquilo de novo, em pleno Natal? E que diferença fazia a data? Por acaso se escolhe o dia de sofrer um colapso?
Coincidência ou auto-sugestão, a verdade é que todo final de ano era a mesma coisa: ela tentava se reconciliar com a família distante, mas em vão! Na última hora cancelava a viagem para Marliéria e ficava em seu apartamento, sozinha. Ia se sentindo mais oprimida a cada minuto e então saía. Às vezes pra rua, às vezes de si mesma.
Naquele 25 de dezembro parecia que nada seria diferente. Ledo engano! Ao dobrar a esquina da rua Curvelo, ela não notou que também ele estava na rua. Também inquieto e louco pra viver, pra variar! Ele não sabia, nem ela, mas iam se cruzar dali a dois minutos. Um minuto. Trinta segundos. Quinze. Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... Aaaaaiiiiiiiiiiiiiii!
Pronto! Ele pisara seu pé fino e descalço ao entrarem/saírem da rua Itajubá, cada um num sentido. Ele meio que acordou de seu devaneio sonâmbulo, ela irritou-se com outra presença humana. Mas ao cruzarem os olhares, o sangue dela esfriou, o dele esquentou. Um carro derrapou na Contorno e bateu no poste. Eles não viram. Viam apenas a si mesmos, em olhos alheios.
Deram-se as mãos e atravessaram a rua, ela descalça, ele de coturnos. Seguiram debaixo da chuva fina, sem dizer palavra ou soltar as mãos. Não se largaram mais. Andaram assim por horas. Quando se deram conta, estavam felizes, debaixo do edredon novo dele. Há quantos dias? Ou anos?
Que diferença fazia? Acaso se escolhe o dia de encontrar o amor?
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