Fuga de domingo

Ando a esmo, apenas caminho. Olho eventualmente para um ou outro transeunte, assim como eu. O casal frustrou-se em sua empreitada, a locadora de filmes e a agência bancária estavam fechados. Motivo: alagamentos provenientes das chuvas do dia anterior. E agora, este sol quase incandescente! Aff... Acho que São Pedro anda muito temperamental ultimamente, pra não dizer mal humorado!


E lá vêm dois homens. Na verdade, um homem e um quase homem. “Two and a half man”, ou melhor, “One and a half man”, neste caso. Parecem ser pai e filho. Cada qual com sua sacolinha, produto das compras no shopping, provavelmente. Tenho a mania de tentar adivinhar qual a ligação entre pessoas assim, quando as vejo. Fico tentando encontrar os sinais genéticos, as semelhanças físicas que comprovem ou não meu momento especulativo.

O rapaz segue à frente, como que a demonstrar independência, maturidade. O homem, atrás, traz o semblante carrancudo. Identifico a proeminência nasal de ambos: pronto, são pai e filho. Se não forem, ainda assim está satisfeita minha necessidade de categorização.

Ando um pouco mais: agora é a família é que tenta encaixar a TV de plasma ou seilaoquê no porta-malas do carro. Como não dá certo, optam por acondicionar o pacote quase inconveniente no banco de trás do automóvel. Consigo perceber uma das mulheres informar à outra que ela deverá voltar de ônibus...

Chego, afinal. Arrependo-me da escolha, ainda sem saber se vou ter sucesso na tentativa. Vejo então os sinais que indicam a disponibilidade de conexão! Eba, tem um lugar bem próximo de um dos pilares com o sinal indicativo! Ledo engano. Depois de várias tentativas, a conexão não é estabelecida: parece algum problema na rede...

A praça de alimentação está cheia, mas eu ajo como se ninguém houvesse... Ignoro-os um tanto, observo-os um pouco. Já não consigo controlar todos os bocejos que me atacam, será sono? Mas dormi tanto! Sei não...

Tento ainda uma vez, se agora não funcionar, ataco o “Cidade de Deus”! Não sem antes beber e/ou comer algo... Preciso refrigerar-me e saciar um pouco esta ansiedade e insatisfação...

Mais um bocejo e uma tentativa de conexão. O grupo que chegou agora há pouco consegue tirar um pouca da minha concentração: homens! Será que querem chamar-me a atenção ou são apenas assim mesmo? Não me dou ao trabalho de verificar...

Já que quase nada funcionou, opto pelas necessidades mais prementes: espantar o sono e obter um pouco de sossego, para entregar-me a outros mundos, outras vidas, outras palavras. Esta aventura só será conhecida depois...

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