Eu os vi. De novo. Mas agora estavam em dupla, uma dupla de casais! Elas, falantes e vaidosas. Eles, companheiros pacientes. Suas cabecinhas "fofas de algodão" denotam, mais que suas idades, suas vivências. Seriam amigos desde quando, da juventude? Ou se encontraram já nesta etapa inevitável? Ah, mas que importa?! O fato é que são amigos. Aproveitaram o quase feriado para uma volta pela cidade, agora calma. Fizeram compras, voltam pra casa. Falam do dia-a-dia, do cotidiano. Elas não se esquecem deles: de novo procuram seus braços... Sempre o braço! Pretensos abraços, quem sabe não sejam estes seus verdadeiros desejos...? Ou talvez nem se ocupem deles. Ja não se preocupam com as convenções ou se prendem às obrigações. Estão juntos. De braços e abraços dados, ainda que invisíveis! Vivem e vivam eles!
“Oi, boa tarde, tudo bem? Muitos peixes hoje?” – arrisquei. O grupo era formado por três homens, uma mulher e um menino, esse último o mais animado de todos com a pescaria. A mulher mostrou-se receptiva ao meu contato, seus acompanhantes nem tanto. Leila, com quem consegui começar um papo, estava ali com o companheiro, o irmão e o filho. O outro homem era Wanderley, experiente pescador daquele local e de outros: uma boa fonte de histórias! Foi ele quem realmente se mostrou aberto e disposto a me ajudar – como um bom representante da classe, cheio de “causos” pra contar! Mas tentei saber de Leila e dos demais se vinham sempre pescar ali, se sabiam algo ou tinham algum palpite sobre a sereia. O companheiro e o irmão de Leila seguiram me ignorando, nada satisfeitos com minha presença. Assim, dei por encerrada minha investida com eles e me concentrei em Wanderley. Leila, por sua vez, não se reprimiu com a má vontade dos outros e quis dar sua opinião. Segundo ela, a sereia existia sim: havi...
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