Capitulação

Atravessou a rua pensando no que viria e veria dali a pouco... Pensou mais uma vez e ainda outra: que estou fazendo? Culpa? Não, em absoluto. Nada disso mais o atormentava. Há muito esse sentimento já não tinha espaço em si. Apenas tentava compreender a natureza dos sentimentos que o dominavam e moviam. Acreditava em sinais ou forçava-os? Fato ou mito, lá ia ele, ao seu encontro. Daquela que nunca havia deixado de estar consigo, ainda que não a alcançasse. Era dela que se lembrava quando fazia o trajeto para o trabalho, quando se deitava em sua cama fria ou quando acordava com uma sensação de vazio... Era com ela que sonhava - e eram ilimitadas suas fantasias!
Mas por que?
O tempo passara. As coisas mudaram - será? Em que medida? Só agora podia reconhecer que evoluíram, ambos. E no entanto, ao vê-la do outro lado da rua... Onde o passado ou o presente? Não era sempre assim, em suas lembranças? Nada do que um homem esperaria de uma mulher. Para ele: encantadora! Era ao seu coração que ela cativava... Podia sentir seu calor, mesmo à distância - era em si que ela ardia! Podia ver seu sorriso, de olhos fechados. Ouvir sua voz, ressoando no silêncio daquele encontro. Era ela. Sempre seria. Mesmo que jamais fosse.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entreouvidos

Medalha de Prata

Sem medo de avião