Reflexões da Grande Abóbora
Toda vez que a mãe lhe 'pedia' pra descascar um pedaço (quase sempre gigante) de abóbora moranga ela tinha ganas de gritar um sonoro e redondo não! Sentia-se de novo e mais uma vez com14 anos, quando tinha mesmo que lhe obedecer - e o que mudara de fato nestes anos todos??? Tá bom, muita coisa mudara - sua aparência no espelho que o diga! -, mas era sempre a mesma ladainha... Então ela se lembrava de quando a mãe cortara o dedo na luta com uma bendita abóbora: quase dava pra ver o osso, não sabia como ela não havia perdido a articulação do polegar! Então a culpa a dominava e ela se entregava, resignada (?), à tarefa...!
E vinham-lhe então as reflexões: geralmente sobre os assuntos mal resolvidos, aqueles que ela tinha jogado num canto obscuro e indesejado da mente. De nada adiantava, lá vinham os inconfessáveis pensamentos pra lhe acompanhar a tarefa doméstica. É claro que o primeiro pensamento foi na mazela preferida: estar em casa àquela hora, sem um trabalho que fosse! Aff... Em seguida, sentia-se diminuída, incompetente, incapaz de gerir com talento uma carreira... Seguiam-se as depreciações de praxe e aí partia pros pensamentos amorosos: lembranças dos casos antigos, das decepções atuais etc. Cansada dos ensaios dos diálogos e situações hipotéticas, começou a concentrar-se no que diria à terapeuta naquela tarde...
"Hum... acho que nem quero ir, já estou meio atrasada mesmo!" Obviamente ela tentava evitar o confronto de assumir velhas e novas questões "mal elaboradas" - ela aprendera o termo e estava incorporando ao vocabulário com satisfação! "Acho que estes pedaços estão ficando muito grandes ou cheios de ângulos...", era tudo que ela se permitia agora: precisava ainda picar o molho de alface antes do banho!!! E quais seriam as reflexões da "alface oculta"??? Preferiu não pensar, pelo menos não antes de finalizar com a abóbora: precisava elaborar melhor aquelas questões! "Puxa, acho que estas terapias domésticas estão mesmo me fazendo bem!", concluiu.
E vinham-lhe então as reflexões: geralmente sobre os assuntos mal resolvidos, aqueles que ela tinha jogado num canto obscuro e indesejado da mente. De nada adiantava, lá vinham os inconfessáveis pensamentos pra lhe acompanhar a tarefa doméstica. É claro que o primeiro pensamento foi na mazela preferida: estar em casa àquela hora, sem um trabalho que fosse! Aff... Em seguida, sentia-se diminuída, incompetente, incapaz de gerir com talento uma carreira... Seguiam-se as depreciações de praxe e aí partia pros pensamentos amorosos: lembranças dos casos antigos, das decepções atuais etc. Cansada dos ensaios dos diálogos e situações hipotéticas, começou a concentrar-se no que diria à terapeuta naquela tarde...
"Hum... acho que nem quero ir, já estou meio atrasada mesmo!" Obviamente ela tentava evitar o confronto de assumir velhas e novas questões "mal elaboradas" - ela aprendera o termo e estava incorporando ao vocabulário com satisfação! "Acho que estes pedaços estão ficando muito grandes ou cheios de ângulos...", era tudo que ela se permitia agora: precisava ainda picar o molho de alface antes do banho!!! E quais seriam as reflexões da "alface oculta"??? Preferiu não pensar, pelo menos não antes de finalizar com a abóbora: precisava elaborar melhor aquelas questões! "Puxa, acho que estas terapias domésticas estão mesmo me fazendo bem!", concluiu.
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