Dentro dos ônibus que me levam e me trazem, escuto histórias, vejo vidas. Nos caminhos que me são necessários percorrer, ouço, imagino e viajo. Crio enredos, traço desfechos. Como no caso de Daniel e Alice, por exemplo. Hoje em dia ele não se mata mais de trabalhar: não tem mais 20 anos, agora ele quer mais é aproveitar a vida! Fala pra Alice que ela tem que parar de ficar correndo pra lá e pra cá em dois empregos: esse tempo já foi. Que a gente tem que planejar e ralar muito até os 40 anos. Se depois disso não tiver conquistado casa, emprego, família, tem que focar em aproveitar os momentos. Agora ele vive assim. Arrumou um lugar baratinho pra almoçar no centro e assim, quando chega em casa, tem mais tempo pra si. E pros seus filhotes, motivo de sua dedicação e esforço materiais. Alice parece meditar sobre as palavras de Daniel, mas logo engata outro assunto: o reality show, que ela acompanha 24h/dia, com a assinatura que fez - menos quando a chefe está. Não dá pra ela vacilar, e...
Dia 02 Este diário começa no segundo dia. É. Porque no primeiro eu simplesmente não tive esta ideia. E porque, mesmo tentando evitar qualquer movimento que chamasse atenção sobre mim, eu escrevi. Tenho certeza que leu. Mas não se manifestou. E eu, que propus o "desafio", percebi-me esperando um sinal. Confesso: fantasiei que lá pelo quarto, quinto dia, você não iria aguentar e faria contato, querendo acabar com este silêncio! Tentei, eu também, não me manifestar - e escrevi um ensaio (!). Pois pensei que eu não podia nem devia tentar um comportamento modificado. Tudo que desejo é que eu possa ser eu mesma! Ao mesmo tempo, repensei minhas palavras... não queria agir pra chamar atenção. E nem não agir, chamando talvez mais atenção pra ausência. Optei por ser eu: eu, eu mesma e... Preciso falar que tudo me lembrava/remetia a você? "ói procê vê!" - claro que quis te enviar este vídeo! Inexplicavelmente, dormi cedíssimo: 21h40 já estava deitada e só acordei hoje, no dia ...
Aquele tom branco-prateado em seus cabelos a deixava louca! E o sorriso sempre nos lábios, o bom humor... Hum... Quantos anos ele teria? A pergunta certa era: quantos filhos ele teria, há quantos anos era casado...! Ele sentado em sua galância, na mesa ao lado, tão longe e tão perto... Ah, se ele soubesse as coisas que ela pensava naquele exato momento! Aquela sua camisa salmão era um must, mas não superava quando ele se prateava da cabeça aos pés! Desistiu daquele delírio e voltou à realidade: acordou sobressaltada com o toque do despertador. O marido, ao lado, abraçou-lhe e a acariciou com o beijo de bom dia. Pensou: isso sim é que é felicidade campeã... pra que sonho?
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