Dentro dos ônibus que me levam e me trazem, escuto histórias, vejo vidas. Nos caminhos que me são necessários percorrer, ouço, imagino e viajo. Crio enredos, traço desfechos. Como no caso de Daniel e Alice, por exemplo. Hoje em dia ele não se mata mais de trabalhar: não tem mais 20 anos, agora ele quer mais é aproveitar a vida! Fala pra Alice que ela tem que parar de ficar correndo pra lá e pra cá em dois empregos: esse tempo já foi. Que a gente tem que planejar e ralar muito até os 40 anos. Se depois disso não tiver conquistado casa, emprego, família, tem que focar em aproveitar os momentos. Agora ele vive assim. Arrumou um lugar baratinho pra almoçar no centro e assim, quando chega em casa, tem mais tempo pra si. E pros seus filhotes, motivo de sua dedicação e esforço materiais. Alice parece meditar sobre as palavras de Daniel, mas logo engata outro assunto: o reality show, que ela acompanha 24h/dia, com a assinatura que fez - menos quando a chefe está. Não dá pra ela vacilar, e...
Aquele tom branco-prateado em seus cabelos a deixava louca! E o sorriso sempre nos lábios, o bom humor... Hum... Quantos anos ele teria? A pergunta certa era: quantos filhos ele teria, há quantos anos era casado...! Ele sentado em sua galância, na mesa ao lado, tão longe e tão perto... Ah, se ele soubesse as coisas que ela pensava naquele exato momento! Aquela sua camisa salmão era um must, mas não superava quando ele se prateava da cabeça aos pés! Desistiu daquele delírio e voltou à realidade: acordou sobressaltada com o toque do despertador. O marido, ao lado, abraçou-lhe e a acariciou com o beijo de bom dia. Pensou: isso sim é que é felicidade campeã... pra que sonho?
Depois de mais de 40 anos, vou voar de novo! Com asas emprestadas, mas vou. As minhas tenho usado diariamente, aqui e ali. Verdade que há 6 meses tenho empreendido voos mais frequentes. Começaram com um salto no escuro. E não me assustei. Ao saltar, percebi que tinha asas – e podia voar. Então tenho voado: voos longos, curtos, baixos e altos. Como todo voo, há momentos de pegar impulso, bater as asas, planar, alterar a rota, pousar. Mas sempre apreciando a paisagem. Tenho visto muitas paisagens, os cenários mudam a todo instante. Necessário saber entender essa inconstância – ainda estou aprendendo. Quisera um céu de brigadeiro todos os dias! Na impossibilidade do ideal, vivo o real. Todos os dias me dão possibilidade de voo. Nem sempre decolo. Há dias de ficar em terra firme. Há dias de estudar o melhor plano de voo. Nesses mais de 180 dias, desde que saltei, houve também dias de querer desistir de voar. De olhar pro céu e ter dúvidas, muitas. É sempre um risco, qualquer voo – o risco ...
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