Estou (na) de fora

Primeiro domingo de 2018.
Nada de grandes resoluções para o ano: comprometi-me apenas a ter disciplina e foco naquilo que me interessa e faz bem. 
Assim, saí de casa com meu indefectível maiô novo - ganhei de aniversário, afinal (!) - e minha mochila guerreira, abastecida com os itens de necessidade básica: vou nadar hoje! 
'No meio caminho tinha'... Calu, Luiz, Renato, Vanúsia e outros; limonada suíça; Parque Municipal e Sunny - sempre se esquivando... 😞
Segui firme.
Fui ao clube, nadei, tomei sol e conversei (muito), como sempre: preciso anotar pra escrever mais, falar menos - uma boa resolução de ano novo, enfim!
Tava mesmo indo embora, depois de um big lanche, regado a mais conversa e um encontro inesperado com Dani  - porque eu não consigo me conter mesmo...
E aí, descendo a Contorno naquele fim de tarde/início de noite, lembrei-me de novo do Danilo, que mora ali perto... pensamentos: será que ele vai estar em casa? Ele nunca está, atende, retorna... pra que eu vou lá??? Ah, vou tentar uma última vez e aproveito pra buscar as blusas do Robert: vai ser um boa surpresa! Ou boa desculpa?
Não penso mais, apenas vou. Bato no portão. Uma vozinha feminina responde:
- Quem é?
Uau! Tem alguém em casa. Há luz no fim do túnel?! 
- Oi... O Danilo está?
- Tá não, mas eles foram comprar comida. Devem estar voltando.
- Eles quem?
- O Danilo e a Fernanda...
E aí o diálogo seguiu: eu de fora e a vozinha de dentro, porque definitivamente não perco a chance de uma prosa! 
Ela contou que estava 'presa' também, só que dentro, porque tinham saído e a deixado sem a chave - ela não morava lá, estava visitando, também (ela já me considerava uma visita, que fofa! Gostei dessa vozinha...). 
Não me contive de novo e logo quis entabular um papo, perguntei seu nome: Raquel. 
Não pensei muito como seria Raquel, afinal eu já gostava dela, mas sabia que era mais nova, geração Y, quiçá Z... divagações de @natplena, não me perguntem o porquê...
A essa altura provavelmente eu já tinha falado meu nome, informado que era 'amiga' do Danilo (quanta pretensão, já que seria a 2ª vez que eu o encontraria pessoalmente), perguntado se a Fernanda era 'assim/assado', porque tinha uma outra Fernanda em comum, blablablá... (qual o meu problema?!)
Percebi que a Raquel, a vozinha de dentro, não era assim como o 'Grilo Falante' aqui, então ela se despediu momentaneamente e me propus a esperar. 
Fiz o que se faz nessas horas de espera: matei o tempo. 
Escutei música, mexi no telefone, tranquilizei o vizinho sobre minha presença, sentada no tronco de madeira, meio encoberta pela vegetação - mas eu estava com meus óculos, o que sempre é um atenuante pseudointelectual para mim. 
E quando achei que a espera já excedia o limite do provável/conveniente, fiz novo contato com Raquel, a vozinha Y.
- Raquel? Acho que vou embora.
- Já esperou até agora, eles devem estar chegando... até porque foram comprar comida pra fazer e eu estou esperando também, com fome...!
A conversa derivou mais um pouco, falei das tentativas de contato sem sucesso enquanto esperava, rimos e brincamos um pouco - a Raquel era legal, mesmo!
- Bom, tem um carro chegando ali... ah, não, era um carro estacionado na rua que tá saindo... 
- Devem ser eles... 
- São não, Raquel.
É claro que nesse ínterim falamos mais - como não poderia deixar de ser, mais EU: que se fosse embora, ficaríamos curiosas quanto à fisionomia de cada uma... se eu ficasse, ela poderia pelo menos ver minha cara ("quem é essa louca?!"); eu disse que estava ficando tarde, que estava de shorts e camiseta... mas Raquel era espirituosa:
-  Eu jogo uma blusa pra você não ficar com frio... dorme aí! 
- Dormir do lado de fora também não, né, Raquel!
Rimos.
Ok, resolvo esperar mais um pouco: ela tinha me cativado. 
Estávamos nessa, acho que já era nosso '3º ato', especulando e conversando sobre o paradeiro de Danilo e Fernanda, quando vi um jeep descendo a rua:
- Olha, vem um carro prata ali, serão eles? - eu dava as notícias de fora. 
- O carro é prata, devem ser.
- Está se aproximando... é um jeep o carro que eles estão?
- Sim, são eles!
Eram eles. Fim da espera. Fim do mistério. 
Danilo me viu e cumprimentou - surpreso. Fernanda me olhou meio desconfiada, aparentemente. Desceram do carro, nos abraçamos e Fernanda sorriu: mais uma 'amiga'? - especulei, dadas as surpresas da noite...
Retiraram as sacolas de compras do carro e dei a notícia: eu estava "(na) de fora" e Raquel, dentro: ambas 'presas'. 
- Ela está sem chave? - perguntaram. 
Seguimos contando sobre 'nossa' espera e eu a vi: Raquel, uma menina delicada de corpo e de feições, uma simpatia de pessoa, que me abraçou - não disse que era uma fofa?
- Você é linda - disse ela. 
Linda? Eu, Raquel? Você que fez da minha noite uma surpresa... Logo eu, que achei que iria surpreender alguém!
A conversa rendeu (ou rendi eu?).
Eles iam preparar yakisoba, que eu adoro, mas eu não ficaria pra comer: "comi como uma 'porca', um mega sanduíche mais suco!"
Aí Danilo me contou que já tinha entregado as blusas pro Robert, naquele mesmo dia: olha eu sendo surpreendida, de novo! 
Conversei, de novo e muito, com Fernanda e mais um pouco com Raquel: ela estava editando um vídeo de casamento e mostrou-se concentrada.
Fiquei cerca de uma hora ali: falando (!), bebendo água e comendo um pão de mel (àquela altura só me permitia uma sobremesa!).
E foi assim que conheci Raquel e Fernanda: a grande surpresa da noite!
Despedi-me, trocamos contatos e Fernanda me abriu o portão.
Prometi então escrever uma crônica sobre isso e aqui está: obrigada, meninas!
Valeu por eu ter ficado "(na) de fora"!
E até a próxima... 😉


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