Dia D
Hahaha! Ela sorriu pra si, ironicamente: sempre usava esse mecanismo de autodefesa, admitia. Quantas vezes não foi criticada por seu sarcasmo e ironia recorrentes? Whatever... não que ela fosse dada a estrangeirismos, ao contrário, mas a palavra lhe ocorreu e traduziu bem seu sentimento, com o perdão do trocadilho - nisso os americanos eram bons, em expressões! Críticas, repreensões e repressões à seu natureza: já estava farta! Naquele dia acordou com mais sono que o normal, provavelmente resultado do relaxante muscular que tomara antes de dormir... fazer o que? As dores estavam voltando e ela, claramente uma viciada em remédios, só queria dormir logo e acordar melhor no outro dia. O resultado: aquela sonolência conhecida e uma dorzinha de cabeça remanescente! "Lá vamos nós de novo", pensou. E sorria. Imaginando que aquele dia podia ser o início de um novo ciclo, o fim de uma época amarga. Assim como o gosto que ficava em sua boca no dia seguinte, ao despertar. Quantas vezes se prometeu que agiria diferente daquela vez? Quantas vezes ela reincidiu em atitudes deploráveis para si? E agora aquelas dores... parecia que elas se revezavam: cabeça, coluna, às vezes estômago. "Você está somatizando seu sentimentos!", disseram-lhe. Bingo! Isso ela já sabia, mas muitas vezes não conseguia evitar. Foram anos se "drogando" pra fugir das dores! Quando, finalmente, ela as vencera, outras vieram: estas se mostravam mais resistentes, persistentes, perenes. Era questão de horas agora pra saber qual seria o próximo passo. Ou a próxima droga. Oscilava entre uma e outra fuga. Nadava, nadava - ela adorava nadar -, mas naufragava. Debatia-se entre a consciência de uma necessária mudança e a fuga anestesiante de suas dores. Dores físicas e emocionais. Mas naquela noite ela não se drogaria. Pelo menos não com remédios. Era dia de consulta ao especialista, dia de cinema! Dia Dez de março! Hahaha: ela os enganara de novo! ;)
Comentários
Postar um comentário