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Belo e horizonte

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Os cenários da cidade me inspiram. Cada enquadramento sugere uma nova possibilidade. A caminho de atualizar meus olhares, registro mais um momento. Tem sido uma rotina agora. Um exercício quase que diário de atrelar às imagens alguma ideia, uma história. Naquele momento não me ocorreu, mas agora ela me vem. Porque tendemos a buscar por belas paisagens, a gostar do que é agradável. Mas costumo dizer que muitas vezes a beleza está ali, esperando pra ser descoberta. Ou valorizada. Otimista convicta, investigo essas bonitezas ocultas. Às vezes elas se perdem ou se escondem sob a capa da tristeza. Quantas vezes passamos por cenas cotidianas com o olhar já embotado, ignorando não só o triste e o feio, mas a vida que ali se encerra. A vida que é bela e feia também, que é alegre e triste, que é iluminada e sombria. Meu olhar apreende a torre do prédio ao longe, emoldurada pela copa da árvore. Percebo o lixo no chão e penso em fazer um novo registro. Ou editar aquela imagem. Mas então me dou co...

Os 4 elementos

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Este é um apontamento sobre sonhos. Sobre desejos não realizados. E sobre planos futuros e possíveis. Sempre quis seguir carreira militar. Preferencialmente na Marinha ou Aeronáutica. Na ausência dessas opções, a carreira de bombeiro(a) militar também sempre a atraiu. Mas quis a vida que ela fosse menor que seu desejo. Ao menos no tamanho físico: não tinha a altura mínima exigida pra essas carreiras. Resignou-se - não sem uma certa frustração. Já que não podia voar, pedalava. Se não podia navegar, nadava. E escolheu salvar: a si mesma, em primeiro lugar. E foi nas palavras, escritas e faladas, que a salvação veio: para si e para quem agarrasse aquela boia. Ou aquela corda. Ou os paraquedas: seus preferidos! Vôos altos e rasos, mergulhos profundos ou boiar na superfície: salvar-se! Este é plano possível, passível, palpável. Sorriu então ao ver o carro de bombeiros que passava, com uma oficial que desceu e conferiu algo na carroceria: teria ela a altura certa? Sentiu-se representada: gig...

Oratório

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Resolveu fazer uma caminhada: o isolamento estava acabando com sua sanidade - e com a de todo mundo, muito certamente! O tempo estava agradável, até um pouco quente... mas precisava tomar um ar, um sol na cara, gastar as pernas, cansar o corpo. E precisava também comprar umas coisas pra casa. Assim, uniria o útil ao necessário: uma caminhada com destino àquele supermercado, paraíso do consumo (!). Agora tudo era motivação para sair, tinha se (bem) acostumado aos passeios... Ainda que os tempos exigissem cautela, outros riscos já tinham sido assumidos: foi-se. O trajeto acabou por se tornar um retorno ao passado, à infância, a memórias esquecidas. Cada rua trazia uma lembrança, uma saudade. Sentia-se livre, saudosista. No topo do morro parou, descansou, virou-se. E a visão que teve, registrou: a igreja! Naquele momento, não atentou pras implicações que aquele registro traria. Só prosseguiu, no caminho. Foi célere nas compras, porque não cabia passeio no supermercado! Necessidades básica...

Entre outras coisas

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Daquelas coisas que a gente só se dá conta quando acontece.  Daquelas pessoas que fazem a diferença no nosso dia, pelo seu sorriso e gentileza. Como quando você está no limite da sua paciência, tolerância e indulgência.  Quando o vírus que contaminou seu coração é mais letal que esse que circula por aí, porque destrói a sua capacidade de sorrir.  De achar graça nas coisas boas da vida.  De enxergar as pequenas maravilhas.  Mas aí me lembro que existe o sr. Domingos: pipoqueiro que há anos oferece seu sorriso e gentileza a quem quiser e estiver disposto.  Que vende a melhor pipoca doce do centro da cidade!  Que tem, ainda, uma piada sobre si mesmo e sua história de vida.  Nunca o vi com a cara fechada.  Eu me envergonho de mim nesses dias, em que me lembro disso e me dou conta. Hoje resolvi que eu me devia isso: resgatar meu sorriso.  Comer pipoca doce depois do almoço.  Porque é de doçuras e sorrisos que necessitamos.  Entre ou...

Pequenas maravilhas

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Diz-se que a vida acontece quando não estamos olhando. Cada vez mais me convenço disso. Como nesta história que vou contar...  Once upon a time ... Uma mulher-menina-senhora que não se permitia envelhecer. Tampouco crescera muito, mesmo que a tivessem querido convencer dos desejados 1,60m: qual o que! Mas agora ela os aceitava e citava, de boa fé. Mais ou menos uma versão feminina de Peter Pan, mas neste caso a heroína-personagem equivalente era a Mulher Maravilha. Até porque a maravilhosa personagem não envelhecia mesmo, depois de chegada à idade adulta: perfeita adequação. E então um dia, passeando pelo mundo virtual pandêmico, nossa heroína vislumbrou seu herói-nerd-senhor-menino. A princípio, houve resistência de ambas as partes.  Nosso super-herói não se impressionou muito pela imagem trancada de nossa heroína.  Nossa super-heroína pesquisou um pouco mais a partir do que viu de nosso herói, com alguma curiosidade, pois sentiu que havia potencial. Assim, começaram um ...

Pastel de Tilápia

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Ela nunca gostara de pastel frito. Sim, ela era "chata pra comer", como ele agora fazia questão de enfatizar. Ela se resignara: fazer o que? Porque salgados, frituras, gorduras e afins nunca fizeram sua cabeça ou seu estômago: seu paladar era pros doces e guloseimas... coisas que a plenitude dos anos lhe trouxera: permitir-se! Nas festinhas, ela era dos docinhos, raramente dos salgadinhos. E dos bolos, especialmente se fossem de chocolate - será que o motivo era ter nascido num mês festivo? Leu isso nalgum lugar e se identificou: ela gostava mesmo de festejar com "bolo, guaraná e muito doce pra você"! Mas isso já é outro devaneio; agora ela estava pensando era na ironia da situação: exatamente no final de semana dos seus novos anos... pastel frito??? Chegaram na pequena cidade no horário do almoço, depois de uma viagem mais ou menos longa e algumas escalas. Finalmente ela iria ter uns dias de solitude compartilhada - com ele. Tinham tomado café na estrad...

Impropério

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Ela não era dada a impropérios com frequência - pelo menos não ultimamente. Ainda mais naquelas circunstâncias: estavam se conhecendo, ela tentando "dar o melhor de si"(!). Não que isso fosse uma preocupação real dela, há muito estava praticando o desapego da encenação... Pra que se passar por alguém que de fato não é? Num cenário em que as máscaras físicas já nos eram necessárias, ela há muito optara por ser real. Mas não era do tipo que xingava, questão de princípios...  E tudo estava caminhando - literalmente - muito bem: embora não tivessem conseguido visitar o museu, nem comer os prometidos churros, o passeio estava agradabilíssimo! Fotos, contemplação, caminhadas... e como caminharam naquele dia! O destino final era a escada rolante, ops: roda gigante! O que estava acontecendo com ela? Desde que o conhecera, vivia trocando as palavras, embolando as frases! E, estranhamente, tudo era muito simples e natural ao seu lado, ainda assim. Depois de finalmente chegarem à afamad...