Belo e horizonte

Os cenários da cidade me inspiram. Cada enquadramento sugere uma nova possibilidade. A caminho de atualizar meus olhares, registro mais um momento. Tem sido uma rotina agora. Um exercício quase que diário de atrelar às imagens alguma ideia, uma história. Naquele momento não me ocorreu, mas agora ela me vem. Porque tendemos a buscar por belas paisagens, a gostar do que é agradável. Mas costumo dizer que muitas vezes a beleza está ali, esperando pra ser descoberta. Ou valorizada. Otimista convicta, investigo essas bonitezas ocultas. Às vezes elas se perdem ou se escondem sob a capa da tristeza. Quantas vezes passamos por cenas cotidianas com o olhar já embotado, ignorando não só o triste e o feio, mas a vida que ali se encerra. A vida que é bela e feia também, que é alegre e triste, que é iluminada e sombria. Meu olhar apreende a torre do prédio ao longe, emoldurada pela copa da árvore. Percebo o lixo no chão e penso em fazer um novo registro. Ou editar aquela imagem. Mas então me dou conta: não é assim que as coisas são, de fato? Reais. A beleza segrega seu lado obscuro. Um pedacinho de céu, as folhagens da vegetação em volta, uma arquitetura imponente e o resto da vida de alguém(s). Tudo junto. Tudo coexistindo. O que sobrou e que ninguém quis, o que estragou, o que não serve mais. E a luminosidade do dia, a vida, o poder ali, lado a lado. Sacos plásticos amarelos que escondem e guardam o que não queremos, que organizam nossos restos. E o que restou de nós, pra aqueles que se servem de nossas sobras? Sobrou beleza para o disforme ou só reservamos nossos olhares interessados para o belo? Fujo do óbvio, transbordo do cotidiano e sigo meu caminho: novos olhares me aguardam. Enxergo Luz. 

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