Onde cantam os sabiás
O cursor pisca pra mim: está me aguardando. Não gosto desta obrigatoriedade, mas ainda assim obedeço seu imperativo. As palavras hoje não estão sorridentes. Estão pensativas, reflexivas. Olho pela janela e vejo o mesmo cenário de anos... É sempre igual, mas cada dia é diferente. Agora o sol brilha. Os carros passam, o trânsito flui, indiferente às mazelas alheias - às minhas mazelas. Mesmo sem olhar, sei que a vida segue lá fora: o pipoqueiro voltou ao seu ponto aqui na rua; o motorista do coletivo segue seu itinerário; o senhor em situação de rua aguarda que o dia passe, sentado em sua cadeira. O funcionário da instituição vem buscar as doações, despertando-me dessa letargia. São instantes gratificantes. Converso um pouco com o pipoqueiro e retomo a rotina. Recebo mensagens, atendo ligações, respondo e-mails - trabalho. Divago um pouco. Lembro-me então daquelas palmeiras imperiais. Lá estão, impassíveis e atemporais. Estáveis e disponíveis, bastando pra isso que as admiremos. Olho pro céu e guardo-as em mim. A luz entre suas folhas... a combinação nacional ali está: azul, verde, amarelo, branco. Equilíbrio distante e presente. Presenteio-me com essa lembrança. Sigo minha dança. O sorriso voltará.

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