Pelos nossos sorrisos

Lembro-me ainda da primeira vez em que te vi: usava a sua camisa azul clara e estava com sua inseparável mochilinha às costas! Era dia de aula? Acho que sim... Depois de um final de semana de intensos contatos, eu forcei um pouco o encontro, numa segunda-feira à noite... E você apareceu, me pegando literalmente de surpresa!

Não vou mentir: de início, eu não me empolguei tanto assim... Achei tudo meio surreal, sua voz, sua figura, fiquei um tanto tensa! Depois de me mover pra lá e pra cá - estava no evento de um lançamento de livro, você até bebeu um drinque, que me lembro! -, com você me esperando pacientemente, finalmente saímos daquele hall, debaixo de uma chuvinha fina...

E agora, pensei, o que vai ser? Descobri você tão ou mais falante ainda que eu, se é que isso é possível! Réu confessa, minha autodefesa é falar além do MEU normal, quando estou nervosa. Mas falávamos igualmente! Sobre o que, mesmo? Agora não consigo mais me lembrar, mas creio que devemos ter descrito nossa trajetória de vida desde o nascimento até ali!

Já meio aflita com toda aquela falação, você me surpreendeu: num arroubo, deu-me O BEIJO! O primeiro, de tantos que viriam depois, sem no entanto nunca ter sido superado...! Talvez os anos de espera tenham transformado-no no que ele passou a simbolizar, mas o fato é que foi ali, naquele momento, com aquele beijo, que as coisas adquiriram novo brilho!

O sorriso passou a ser constante, involuntário que era, sempre pairando nos meus, nossos, lábios... Até lugar ele virou, ainda que não tenha vingado! Nos rendemos mesmo foi às empanadas!!! E aos "do dia", mesmo que não tenhamos nunca degustado juntos o de almôndegas, né? Depois vieram os "valfers", chocolates e tantas outras guloseimas, para desespero do meu guarda-roupa!

Seu sorriso me foi sempre necessário e quando ele desvanecia, punha-me em campo para restaurá-lo: tornamo-nos dois comediantes, talvez ridículos aos olhos alheios... Que me importava? Eles não sabiam sorrir como nós!!!

Mesmo sem fechar os olhos posso vê-lo agora, com a lingua tocando o céu da boca, meio de lado... Ou fazendo uma dancinha meio desengonçada, só pra me fazer rir! Que dizer então dos seus braços de... abraços... pés, com seus dedos de... pernas... olhos... tudo contribuia para meu sorriso! Funcionavam e agiam de maneira ritmada, iam e vinham, de encontro aos meus próprios braços, abraços, pés, pernas e olhos, ansiosos pela manutenção de nossos sorrisos!

Mas eles não resistiram a tudo o mais, que não eram sorrisos... Foram sucumbindo, congelando e até desaparecendo... E então um dia eles se apagaram. Não conseguiram vencer tanta seriedade e tensão! Eles nos abandonaram, acenando de longe, na tentativa que os víssemos e os resgatássemos! Mas em vão...

Será que um dia voltarão?

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