A captura

Tudo começou assim, como uma brincadeira... e foi crescendo, está crescendo - em constante evolução. Um estranhamento, que deu lugar à sintonia e à captura dos olhares. Olhares de curiosidade, de interesse. Conversas rápidas, fluidas, com o humor sempre em destaque. Ele sempre muito ocupado e atarefado; ela falante e instigante. Ambos com paixão pelos olhares capturados e captáveis. Aquele estranhamento foi se tornando sua linguagem, sua conexão e sua sintonia. Um dia, uma imagem e uma mensagem subliminar. Uma porta que, entreaberta, foi sendo escancarada. Um flerte sutil e contínuo - tímido. A distância física os aproximava nos interesses, fantasias e possibilidades. As vozes passaram a compor aquela dança lenta, porém contínua. E então a surpresa: uma possibilidade real, palpável e próxima. Os protocolos de segurança e os inconvenientes estavam ali para serem seguidos e superados. A insegurança de ambos quase pôs fim àquela novidade. Ele falou, mas não sugeriu; ela sugeriu, mas em seguida se retraiu. Os dias se passaram e ela quase desistiu, incomumente vexada por ter insinuado, insistido até. Logo agora, que ela estava conseguindo ser menos passional! Quem era aquele estranho que a desestabilizava e estimulava ao mesmo tempo??? Ele também estava estranhando tudo aquilo e estranhou ainda mais quando ela quase desistiu: teria errado na dose? Por excesso ou falta? Questões a serem respondidas em pouco mais de 12 horas de distância aproximada e aproximável. E lá foi ela, a dúvida ainda a assaltando... ela estava de fato louca?! Mas assim que o viu, toda a insegurança dela se desfez - ele a abraçou de pronto, sem preâmbulos! Saíram conversando e fazendo planos para o próxima etapa: aquele encontro já estava sendo uma aventura e tanto, até então... ela havia sugerido visitarem os arredores, a natureza, captarem o ambiente. E assim fizeram: erraram o caminho, mas acertaram a estrada! A estrada que se delineava ainda incipiente para aqueles dois estranhos. Conversaram, comeram, caminharam, desistiram de andar mais e entregaram-se à paixão que já os unia: fotografaram então! A si mesmos, um ao outro, ao ambiente. E compartilharam seus olhares, cada vez menos estranhos. E novamente ela o viu, mas agora o enxergou! Seu olhar o capturou, captou - cativou? Lá estava ele, irresistível no horizonte: sua silhueta negra delineada no entardecer daquele dia de céu límpido e azul. Ele registrava seu olhar; ela olhava seu registro e gravava em sua córnea aquela imagem. Estavam captados, foram capturados. Estranhamente familiares, encontraram-se.

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