A Sereia da Pampulha - Cap. 2

Já que ia mesmo ter que caminhar por ali e exercitar minha paciência jornalística para aquela apuração, aproveitei. Tirei os tênis, sentei na grama, apreciei a paisagem: "dei uma" de turista! Há quanto tempo eu não fazia isso? É fato que os tempos não estavam propícios para passeios em geral... mas como era uma terça-feira de fevereiro, cri que estaria mais tranquilo. Inocente dedução, porque parece que todo mundo estava com o mesmo pensamento e vontade de respiro. Isso não era um bom sinal, pensei. Esse povaréu vai afugentar minha presa! Quer dizer, não que eu fosse pretensiosa ao ponto de achar que iria capturá-la... já teria sorte se eu a encontrasse! Mas aquela concentração cada vez maior de pessoas não me pareceu um bom presságio. Decidi sair daquele meu idílio e ir à luta! Afinal, a sereia não estaria "dando sopa" pra qualquer curiosa que aparecesse! Embora eu contasse com um detalhe favorável, não era pra deixar o otimismo turvar o bom senso e o realismo. Era dia de Iemanjá - já contei isso? -, o que me motivou a ir até a lagoa naquele dia. Imaginei que as vibrações estariam propícias para que aquele ser das águas se manifestasse e viesse à tona - literalmente. Outra vez subestimei as consequências da data no restante dos outros seres não aquáticos: os devotos do Rainha das Águas em breve estariam se concentrando na orla da lagoa! Especialmente na área mais óbvia para um encontro com a sereia, onde havia o portal e imagem de Iemanjá... Dei-me conta da ingenuidade do meu plano inicial e já comecei a pensar num plano B. Afinal, ainda que o público fosse maior que o esperado, a sereia talvez fosse do tipo que gostasse de se exibir... vai saber! Quem sabe? Nesta era de intensa exposição, é possível que o ser das águas fosse também uma versão mais atualizada...
(continua...)

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