A sereia da Pampulha - Cap. 4
Toda minha
preparação mental foi em vão: fui literalmente barrada na portaria! vigilante
fez cara de poucos amigos quando me viu subindo as escadas, resolutamente. Qual
o que?! Com a mesma gravidade que procurei imprimir à minha expressão, ele me
informou que o parque estava fechado para visitação. Mas e aquelas pessoas que
eu vira circulando? – inquiri. Respondeu-me que eram funcionários da manutenção
que, eventualmente, rodavam nos brinquedos para testá-los. Logo agora, que eu
tinha traçado um plano de ação: do alto da roda gigante eu teria uma visão
panorâmica da lagoa e de pontos interessantes para exploração! O mais alto que
eu conseguira chegar, até então, era ao topo da escadaria do parque. E tudo que
pude ver, olhando em volta, foi a silhueta do “Gigante da Pampulha” e seu irmão
menor: o Mineirão e o Mineirinho, lado a lado. Não me fiz de rogada. Tentei
convencer o grave rapaz a me deixar fazer a ronda dos brinquedos com os
técnicos da manutenção, porque se tratava de um trabalho investigativo... e que
ele poderia me auxiliar, que eu gostaria de tomar seu depoimento, inclusive! Senti
que ele mordia a isca, mas durou pouco. Depois de me medir com o olhar
de cima a baixo, titubear um pouco, ele se recompôs daquilo que pareceu
ter povoado suas ideias. Deu seu veredicto, encerrando o assunto ali mesmo e devolvendo-me
à realidade. Não: eu não tinha pistas, nem teria visão panorâmica. Não tinha também
nenhum suporte para prosseguir com minha ideia de desvendar aquele mistério e,
quem sabe, obter um furo de reportagem! Senti-me frustrada e um tantinho
patética. Tudo continuava nebuloso e fantasioso. Cogitei abortar a
missão. Desci as escadas algo desenganada – porque resignada não estava! – e segui
a avenida no sentido contrário à igreja. Comecei então a pensar noutro caminho
possível para trilhar naquela história... se eu podia colher informações com o
vigilante do parque, por que não com os comerciantes locais e usuais
frequentadores da lagoa? Pareceu-me uma ideia mais plausível, até. Eu precisava
dar um rumo àquela história ou desistir dela! Segui até a antiga casa de JK,
atenta a sinais, pistas e possíveis fontes... (continua...)
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