Romântico, pero no mucho...

Olhou em volta e resignou-se: ela deve estar no final da sessão de acupuntura... Com certeza nem pensava mais nele! Se bem que ontem ela lhe enviara uma mensagem no celular: agradecendo e desculpando-se! Ontem. Mas quem queria desculpas? Ele desejava mesmo era o destempero dela! Que ela não pensasse nem pesasse nada, que se jogasse - de preferência em seus braços e abraços e amassos...!

Os pernilongos no quarto lhe devolveram à realidade. Melhor continuar com o artigo: era o único trabalho que tinha conseguido no mês e quanto antes o entregasse, melhor. A imagem dela no biquíni de bolinhas vez por outra vinha lhe fazer firulas na mente... Quem mais a veria naquele modelito? Na acupuntura não, com certeza! E que diferença faria, afinal: não era por outro que ela suspirava?

Ah, as mulheres... Quem poderia ou poderá compreendê-las? Bicho esquisito que todo mês sangra, já dizia a rainha do rock brasileiro! Vivem dizendo que desejam um homem sensível, companheiro, divertido, blablablá... Cadê? O aparelho celular vibrando em cima da mesa o tira de mais um devaneio: com certeza, deve ser o editor da revista, cobrando! Ai meu Deus...

"Alô?"
"Oiiiiii... tudo bem, sim. E você?"
"Ocupado? Nada!"
"Claro, a que horas?"
"Te pego aí então! Bjo..."

Será que ela iria usar uma lingerie preta? Tratou de enviar uma mensagem com uma desculpa pro editor e correu pro banho. Barba, cabelo e bigode, sim senhor! Visualizou de novo a imagem dela no biquíni e desejou de todo coração - e de outras partes do corpo - que ela suspirasse naquela noite. Por ele.


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