De tudo um pouco - muito de nada


Tantas e quantas vezes as mesmas letras e palavras. A mesma ideia repetitiva. A mesma vida e as mesmas situações. “Um passo para a frente, dois para trás”. Quando a novidade vai me arrebatar?

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Gosto das letrinhas miúdas, com serifas. Das palavras soltas e livres. Das frases desconexas e desconectadas. Daquilo que as pessoas não percebem, não entendem, não compreendem. Gosto de sutilezas e vislumbres. Queria um poema.

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 Eu me atrapalho. Ando e tropeço. Respiro e sigo. Até que venha o desafio. Se cair, levanto. Eu sigo.

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Agora me aflijo. Vontade de tudo mudar. De tudo de novo sentir. De tudo novo sentir. De te sentir novo em mim. E ao mesmo tempo constante, presente, eterno. O sentimento fazendo sentido. Jogo de palavras. Eu as jogo, não posso aprisiona-las ou represa-las em mim. Meu sentimento já assim se encontra. As pessoas me interpelam, não quero interagir. Só que o tempo passe. “Espero que o tempo passe. Espero que a semana acabe. Para que eu posso te ver de novo. Espero que o tempo voe...” – o que eu realmente quero? Só as interrogações figuram-se para mim, é delas que minha cabeça e meu peito estão cheias!

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Ele não conseguia compreender, quiçá entender o homem na sala ao lado. Poucas vezes vislumbrou um esboço de sorriso em seu rosto. Raras vezes ouviu sua risada: só ocorria na presença de algumas pessoas. Educação não lhe faltava, ao contrário: sempre que o homem pedia algo a ele, era arrematado de um ‘por favor’. Mas a distância entre eles era intransponível. Ele esforçava-se para acertar o tom com o homem na sala ao lado, mas era-lhe penoso não ser natural como de costume. Por que tanta força em se manter distante e inacessível? Ele mesmo sofrera, no passado, tentando ‘manter a postura profissional’, sufocando seu eu. Sentia falta de calor, mesmo com a proximidade do verão. O local permanecia em rigoroso inverno, salvo alguns raios de sol – obviamente de outros sóis...

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