Registro previsto
Atravessou a rua correndo para não perder o ônibus. Todo dia a mesma coisa: acordava mais cedo, tentava adiantar-se, mas nada. Sempre correndo contra o tempo – como se fosse possível! E torcendo para que o trânsito ajudasse. Hoje ajudara: ela conseguiu pegar a condução a tempo e um lugar para sentar. Aproveitou para tentar acalmar o espírito, fez sua prece muda e cotidiana. Reforçou o ritual ao atravessar a portaria do prédio e teve a impressão que o segurança a observava. Impressão. Não tencionava aquele (mau) humor para o dia, então contou as últimas para o colega e sorriu! O dia passou ligeiro, lembrou-se dele e de toda a situação... Pausa para almoço. As tentativas de contato dele tornaram-se mais intensas, oscilando entre a firmeza e a urgência por atenção. Ela manteve-se inabalável – ou o mais perto disso possível. Acabou tensionando a mente e o corpo em vários momentos e no final da tarde... cefaleia! Tomou seus compridos comprimidos vermelhos e aguardou pelo alívio. Na verdade, aquilo já se tornara quase um vício para ela, que quase a preocupava... Desligou-se daquilo tudo e concentrou-se no trabalho. Então lembrou-se e escreveu.
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