A sereia da Pampulha - Cap. 8

- Wanderley, você acredita mesmo na história da sereia? Já a viu alguma vez? - perguntei.
- Ver, ver, eu não vi... mas já ouvi de outros pescadores que nem eu, que viram: que ela aparece e desaparece do nada! E sempre nuns horários assim, anoitecendo... será que hoje ela vem? Porque parece que ela não gosta muito de multidão e hoje a lagoa vai encher! – respondeu.
Pensei: prefiro que a lagoa se esvazie, pelo menos da sereia, Wanderley... Tentei:
- Preciso de sua ajuda numa ideia que tive: pode ser? É porque estou até meio zonza, de um sono que tá me dando e não estou me controlando! E tem aquele banco ali, me chamando, mas eu queria muito filmar a lagoa... você ainda vai ficar por aqui um tempo?
Wanderley me encarou, entre surpreso, curioso e desconfiado: naquela altura dos meus esforços em ficar acordada, distinguir qual era a emoção predominante era-me impossível! Mas enfim a curiosidade venceu e ele aproveitou pra lançar seu anzol também:
- Estou sempre disposto a uma pescaria, não tenho hora de ir, os peixes é que determinam meu horário. E se ajudar uma moça bonita como você é um dos motivos pra eu ficar mais, por que não?
Por aquela cantada desnecessária eu não esperava, mas me aproveitei da situação:
- Você pode então ficar de olho enquanto eu tiro um cochilo ali no banco? E, sem querer abusar: fica com meu celular e filma qualquer coisa diferente que acontecer? – pronto, a sorte estava lançada. Era um risco e tanto, mas meu telefone não tinha nada de atrativo, já tinha apagado tudo previamente - em caso de alguma eventualidade. E a região era muito visada e policiada, o banco ficava em frente ao Centro de Saúde da região, bem movimentado àquela hora. Agora era tudo ou nada!
- Uai, eu fico sim: só me explica direitinho como mexer nesse trem... mas pode descansar tranquila e qualquer coisa também eu te acordo, viu? – prontificou-se Wanderley. O sono incontrolável não me permitiu mais receios ou prudência, eu simplesmente decidi e me entreguei! Dei as instruções pro meu ajudante solícito e encaminhei-me pro banco, aliviada. Ainda que eu tivesse um palpite meio maluco, a surpresa seria muito maior do que eu podia imaginar! (continua...)

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